2 de abril de 2012

Em uma janela qualquer

Eu deixei de usar o MSN há algum tempo, só às vezes entro para resolver assuntos do trabalho. Era um dia normal, entrei no MSN e me lembrei porque eu havia o abandonado e migrado para o chat do Facebook.
Transcrevo a conversa, tal como foi:

aline diz: oi flor, tava sumida
[Começou me chamando de flor, maravilha]
Michele diz: quem é?
aline diz: Aline. Eu to off aí né? Meu msn tá doido
[Doida é você]
Michele diz: Mas eu não me lembro de nenhuma Aline. De onde te conheço?
aline diz: aff q brisa..sua prima, prima do João
[Brisa?]
Michele diz: hehehe Não tenho nenhuma prima Aline
aline diz: hehehehehe...se ta com graça né? Doidinha kkkk
[Esse “se” significa você? Na minha família não]
Michele diz: Ai meu Deus.
aline diz: heheheehehe
Michele diz: vc tá confundindo. Acontece
aline diz: sei, deve ser mal de Parkinson hehehehehehehe
[Pronto, morri]
Michele diz: Você quis dizer de Alzheimer? Mas é serio, meu nome é Michele Matos, moro em Amambai MS
aline diz: não, vc mora em Itajaí SC. Esqueceu?
[Esqueci por quê mesmo decidi explicar alguma coisa]
Michele diz: Ah vá... Não sei quem é você, vc não admite que está errada e ainda tá atrapalhando meu serviço. Tchau
[Fui grossa, fiquei com dó, mas achei que assim ela perceberia o engano]
aline diz: Ta bom. Tchau. Bjo. Foi um prazer. Hehehe dá trabalho essa pessoa.

Fechei o MSN e ainda não tive coragem de entrar novamente.

15 de março de 2012

Tchu tcha

Tenho visto muita gente reclamar dos DJs de ônibus, pessoal que não usa fone de ouvido para ouvir música no transporte público. Eu não uso esse tipo de transporte então nunca me importei com a causa, só não sabia que a moda se estendia em ônibus de viagem também e posso afirmar que tive uma experiência terrível no último fim de semana.
Ouvi as canções mais tenebrosas que eu nem sabia que existiam. Na viagem de volta foram umas quatro horas sendo obrigada a permanecer sentada ao lado de funkeiros sem noção que mostravam a potência daquele celular que eu torcia para que explodisse.
Aí o que fazer? Eu até tentava curtir a vibe, entrar no clima do batidão, levar a letra numa boa, mas tudo que eu imaginava eram chamas, as chamas do inferno. Pensei em reclamar educadamente, mas ele poderia reagir de várias maneiras. E se ele me ignorasse? E se ele concordasse em desligar, quem me garante que eu não acordaria com um desenho fálico na testa? Ainda faltavam três horas, eu queria dormir. Desocuparam umas poltronas lá na frente e eu fugi daquele barulho sem olhar para trás.
Pensar que no primeiro ônibus uma senhorinha me disse que a lua estava derretendo e quando derretesse completamente o mundo iria acabar. Ela tinha razão, a cada vez que um funkeiro nos obriga a compartilhar de seu gosto musical, a lua derrete um pouquinho.

1 de fevereiro de 2012

Maracujá?

Olha, se minha vida financeira dependesse de um jogo onde com os olhos vendados eu tivesse que provar algo e descobrir o que é, estaria ferrada. Paladar é um sentido muito complicado para mim. Na hora do almoço minha mãe faz um suco amarelo e me pede para descobrir o sabor, provo só por desencargo de consciência, porque sei que vou chutar nomes de todas frutas amarelas que me vier a mente.
Admiro muito o enólogo, aquele sujeito que faz faculdade de vinho e tem o olfato e paladar aguçadíssimos. Ao chegar a uma festa, aceita uma tacinha de vinho, gira a taça no sentido horário, com inclinação de 26 graus em relação a Greenwich, cheira com os olhos fechados, prova, levanta uma sobrancelha e fala coisas como: “Blá blá blá sabor amadeirado, blá blá blá antocianinas elevadas...” Como pode né? Acredito que pessoas com esse dom sejam capazes de dar uma lambidinha na testa de alguém e descrever sua personalidade.
Talvez eu estude enologia e um dia, em uma festa, com cara de superior eu prove o vinho e diga:
- Sabor excêntrico, resinoso, suave... Tô zuando, vi a garrafa, é Campo Largo. Pode me servir mais uma taça?

3 de janeiro de 2012

Destinatário

Quem não gosta de receber coisas pelo correio não merece ser chamado de pessoa do bem, porque é muito legal. Ler uma carta é muito mais divertido que ler um e-mail, uma mensagem de celular ou levar uma cutucada no Facebook. O problema é que ninguém me escreve cartas e eu respeito a preferência dos meus amigos pela praticidade da internet, afinal nem eu escrevo cartas. Para receber muitas coisas pelo correio eu assino revistas, compro livros e peço amostras grátis. Muitas amostras grátis. Creme dental, sabonete, xampu, perfume, tempero, ração de cachorro. Além da alegria de abrir as embalagens, o que eu não permito que ninguém faça por mim, tem também a utilidade dessas coisas, nada se desperdiça, tudo é devidamente aproveitado. Mas nem todos os dias eu encontro sites de coisas úteis. Pela falta de opção e pela obsessão que isso se tornou, ontem mesmo eu quase pedi um Manual para criação de caprinos. Preenchi todos os dados solicitados e quando fui confirmar o pedido, caí em si e pensei: “Não, Michele, nem tudo que é grátis lhe convém” Desisti do manual e aceitei o fato de que o mundo é dividido em pessoas que sabem e pessoas que não sabem como criar caprinos. E pensar que eu quase mudei de lado...

12 de dezembro de 2011

Cama semântica

De vez em quando a gente se esquece por alguns segundos o nome de alguma coisa que está à nossa frente, não é mesmo? Lá em casa não perdemos tempo tentando lembrar. Simplesmente substituímos a palavra pela primeira que vem na cabeça. Por exemplo, se minha mãe fala “Ta muito quente, liga o triturador” rapidamente eu penso “não temos um triturador e mesmo se tivéssemos não faria sentido nenhum” ligo o ventilador e fim de história.
Se vou cortar o pão e digo “mãe, esqueci a enxada, você pega pra mim?” Ela, é claro, me imagina cortando o pão com uma enxada, mas logo reflete e pega a faca. Tem hora que é difícil lembrar o nome do objeto em questão e também é difícil substituir por outro nome, porque os neurônios dormem. No meu caso acordam tarde e dormem cedo, ao contrário de mim que acordo cedo e durmo tarde, pois então, nesse caso substituímos qualquer palavra por cachorrinho.
- Fia, você pinta minha unha com esse shampoo rosinha?
- Sim, vó. Só preciso encontrar a enceradeira pra limpar os cantinhos depois. Mãe, você sabe onde ta?
- Ta na caixa de cachorrinho ué.

28 de novembro de 2011

Validade

Sabe o que eu gosto? De botar a culpa no Saci. Eu não tenho provas, nunca consegui fotografá-lo, mas eu sei que ele que apronta mais que a garotada do barulho da Sessão da tarde, então quando minha mãe pergunta o que significa toda aquela bagunça no meu quarto eu não hesito em dizer: Foi o Saci.
O Saci apaga arquivos do computador, transforma o sorvete do freezer em feijão, esconde os pés de meia, entra em altas confusões.
Eu já me acostumei, principalmente com a bagunça do meu quarto, não adianta lutar contra aquele danadinho de uma perna só. Eu até arrumo de vez em quando, quando dá vontade. Sabe aquela vontade de tomar Fanta Uva que dá de repente, uma vez a cada três meses? Mas eu me arrependo logo, tanto de ter arrumado o quarto, porque o Saci logo bagunça tudo de novo e de ter tomado Fanta Uva, porque é ruim pra caramba. Ah! Sabe aquela história de fim de mundo em 2012? Não é verdade, porque aqui na lata da Fanta está dizendo que ela vence em 2014.

21 de novembro de 2011

Consertos

Acho terrível quando resolvo ler, pego um livro super legal, estou empolgada com o desenrolar da história e de repente percebo que parei de prestar atenção há mais ou menos uma página. Eu li palavra por palavra, mas pensando em outra coisa. Volto no começo da página e penso: agora vou prestar atenção. Leio tudo de novo e no final percebo que mais uma vez não prestei atenção em nada. Vou dormir, porque nesse caso não adianta eu tentar me enganar, fingir que entendi e continuar a leitura. Leitura
é coisa séria, não é como fazer Babyliss. Sabe o negocinho de enrolar cabelo? Então, preciso ficar segurando ele 25 segundos em cada mecha, começo contando: Um,dois,três, quatro... Bem compassado. Minha mão cansa e acelero: cincoseisseteoitonovedez... Até 25. Acho que no tempo normal isso daria uns 10 segundos, o cabelo fica sem graça e eu resolvo alisar. É sempre assim. Se eu fosse mais concentrada e mais paciente muita coisa mudaria. Por exemplo, agora: Tem uma pessoa martelando do outro lado da parede. Cada vez que ela martela, eu digito a mesma tecla várias vezes no ritmo da martelada, já consertei esse texto diversas vezes. Tenha santa paciênccccccc