12 de fevereiro de 2010

República democrática

"Certo, então vamos fixar folhetos nos murais da faculdade."
Quando elaboramos esse plano a fim de conseguir mais duas moradoras para nossa humilde república muitas ideias vieram a minha mente, eu imaginei como seria a seleção.
Nós três, muito divas, formaríamos uma bancada, seriam distribuídas senhas para as candidatas e então a entrevista seria simples com perguntas triviais, se a resposta não nos agradasse, a candidata já estaria eliminada, o processo seletivo seria rápido, não passaria de um dia.
"Que tipo de música você prefere?"
"Pagode."
"Próxima!"
"Qual seu signo?"
"Escorpião."
"Ascendente?"
"Leão."
"Desculpa. Próxima!"
"Qual sua bebida preferida?"
"Pepsi."
"Ok, não foi dessa vez. Próxima!"
"Almodóvar ou Tarantino?"
"Oi? "
"Oi, tudo bem? Próxima!"
É, seria divertido, mas seria complicado, vamos escolher as duas primeiras que ligarem mesmo.

4 de janeiro de 2010

Surpresa

Flap, flap, flap! Bato palmas e a porta se abre, surge ela, sem óculos:
- Uai, quem é? (Pensa, pensa, pensa) Michele, é você?
- Sou eu, vó!
- Michele, você jura que é você?
- Juro, vózinha!
Ela olha para o céu, levanta as mãos e diz:
- Meu Deus! Isso é um milagre!
E vem me abraçar.

27 de dezembro de 2009

Sobre passar o rodo

Estive afastada por um tempo para me dedicar a uma pesquisa, meu objetivo era conhecer a fundo a Malandragem das Ruas, que consiste em um conjunto de técnicas responsável por fazer com que em uma festa, quando você e a Juliana Paes estiverem flertando com o mesmo mocinho, a Juliana pareça invisível.
A precursora dessas técnicas dividiu experiências comigo e me ensinou grandes lições, hoje ela já não põe em prática, pois está feliz ao lado de um dos alvos de sua Malandragem.
Se eu fosse colunista da Capricho daria dicas de como obter a Malandragem das Ruas, dicas que ajudariam meninas que já foram trocadas por grandes toupeiras acéfalas, e se algum menino lesse a revista da irmã também aprenderia a ter mais atitude. É uma pena que eu não seja colunista da Capricho, e é uma pena que por aqui não exista público-alvo para esse tipo de texto/tutorial.
Ainda sou leiga no assunto, testarei as técnicas durante o resto do verão, por enquanto posso afirmar que os resultados são positivos, mas a Malandragem não resolve todos os problemas do mundo.
- Sabe Mi, eu tenho apenas dois medos na minha vida, um deles é de me casar, o outro é de nunca me casar.

24 de novembro de 2009

Ação entre amigos

- Então, parece que o Zé Mayer saiu com uma história que o Mundo vai acabar em 2012.
É, amiga dona de casa, se a teoria é dele ou não, eu não sei, mas sei que estamos vivendo o fim dos tempos.
Animais que antes viviam tranquilamente em minha cidade, como os pinguins e as adoráveis foquinhas, começaram a sofrer com o calor. Bichinhos que ninguém conhecia, tipo os pernilongos, começaram a adentrar nossos lares. As pessoas estão assustadas, procurando médicos, pois não sabem do que se trata esse líquido transparente e salgado que sai de suas peles.
Eu gosto do calor, mas o senhor que mora na casa da frente não gosta, ele tem se irritado fácil.
Mas nem que eu tenha que rifar minha plaquinha do Tótis Bar para ajudar a pagar as multas, não permitirei que esse problemático senhor expulse os vizinhos do apartamento de cima. Porque eu não entendo, não entendo como ele alega não conseguir dormir devido ao barulho. Que barulho? Eu juro, pela alma da Fifi, que nunca me incomodei com o barulho, aliás, nunca percebi o barulho.
Eu sei que a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena, mas senti uma vontadezinha de presenteá-lo com uma boneca da Xuxa. No momento em que ele fosse pentear a linda boneca e percebesse que os olhinhos dela são vermelhos e sangram de vez em quando, ele diria "olá" ao fim dos tempos.

9 de novembro de 2009

Claustrofobia

Segundo a sábia astrologia, hoje é meu último dia de inferno astral, que bom, porque eu percebi mesmo que minhas unhas estavam quebrando com muita facilidade nos últimos tempos, no mais não notei diferença, a não ser nas duas vezes que tive que entrar em um elevador, aquele meio de transporte é ridículo, fechado, sem ar, e caso a energia elétrica acabe não existem pilhas para emergências, a pessoa morre sem ar.
No tempo em que estava no elevador, tentei me concentrar em alguma outra coisa, e cheguei à conclusão de que a minha meta até maio do ano que vem é entender de futebol, tenho me empenhado para isso, já sei o nome de um jogador do meu time, sei também que existem estratégias, que os jogadores não apenas correm com a bola desesperadamente até o gol, mas eles são obrigados a passar a bola para os colegas.
Pois é, amanhã começa uma nova era, com unhas mais fortes, mais paciência, e principalmente mais amor ao meu time, porque é como diz a canção:
“Salve o Flamengo, campeão dos campeões.”

16 de outubro de 2009

Terra fértil

Antes eu me alimentava direito, tomava banho regularmente, tinha uma vida consideravelmente normal, até que descobri, neste nefasto mundo da Internet, uma simpática fazendinha que discretamente me seduziu e agora consome boa parte do meu tempo.
Preciso plantar milho, batata e cenoura, já não tenho tempo para relações sociais. Não me sobra tempo para ligar para meu querido pai biológico e pedir com educação que ele pare de procriar, afinal não me sinto bem ao andar pelas ruas da cidade sabendo que o indivíduo que me entrega um folheto pode ser um de meus muitos irmãos.
Preciso furtar milho, batata e cenoura, não me sobra tempo para ligar para minha linda mãe e perguntar por quê afinal, tenho a cabeça comprida. Por que na rua me chamam de "Cabeça de Snoopy"? Não, na verdade eu não ligo. Apenas me importo com a minha fazenda e com os meus rins. Ficarei aqui cuidando da minha colheita, até sentir uma pontada e perceber que preciso de um rim novo, somente neste dia começarei a busca pelos meus irmãos.

25 de setembro de 2009

Tatu pai, tatu filho

Eu nunca ouvi da boca da minha mãe a seguinte frase: "Filha, seu verdadeiro pai é o Paul McCartney." Porém isso sempre foi tão óbvio para mim, os traços, a música em minha homenagem, enfim, tenho maturidade para superar isso. Sei que pai de verdade é quem cria, por isso respeito e amo meu pai adotivo, mas estou ansiosa para conhecer, no ano que vem, o meu progenitor.
Hoje em dia é normal não conhecer o próprio pai, acho que estranho mesmo é não conhecer um tatu-bola. Meu Deus! Eu não consigo pensar em outra coisa desde que visitei aquele blog. A autora dizia que ela sentia saudade da infância quando via o suposto tatuzinho. A princípio eu pensei que era uma moça do interior que cresceu no meio dos tatus, mas depois eu descobri que não, que não era do tatu que cavuca buracos que ela se referia, era de um bichinho de jardim que, pelo jeito, todo mundo conhece. Passei a ser meio que excluída e discriminada por não conhecer esse animalzinho. Nunca vi mesmo.
Quando meu primeiro filhinho nascer, quero que o pai biológico esteja por perto, mas antes que a criança seja apresentada ao pai, quero que mostrem a ela um tatu-bola.