24 de novembro de 2009

Ação entre amigos

- Então, parece que o Zé Mayer saiu com uma história que o Mundo vai acabar em 2012.
É, amiga dona de casa, se a teoria é dele ou não, eu não sei, mas sei que estamos vivendo o fim dos tempos.
Animais que antes viviam tranquilamente em minha cidade, como os pinguins e as adoráveis foquinhas, começaram a sofrer com o calor. Bichinhos que ninguém conhecia, tipo os pernilongos, começaram a adentrar nossos lares. As pessoas estão assustadas, procurando médicos, pois não sabem do que se trata esse líquido transparente e salgado que sai de suas peles.
Eu gosto do calor, mas o senhor que mora na casa da frente não gosta, ele tem se irritado fácil.
Mas nem que eu tenha que rifar minha plaquinha do Tótis Bar para ajudar a pagar as multas, não permitirei que esse problemático senhor expulse os vizinhos do apartamento de cima. Porque eu não entendo, não entendo como ele alega não conseguir dormir devido ao barulho. Que barulho? Eu juro, pela alma da Fifi, que nunca me incomodei com o barulho, aliás, nunca percebi o barulho.
Eu sei que a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena, mas senti uma vontadezinha de presenteá-lo com uma boneca da Xuxa. No momento em que ele fosse pentear a linda boneca e percebesse que os olhinhos dela são vermelhos e sangram de vez em quando, ele diria "olá" ao fim dos tempos.

9 de novembro de 2009

Claustrofobia

Segundo a sábia astrologia, hoje é meu último dia de inferno astral, que bom, porque eu percebi mesmo que minhas unhas estavam quebrando com muita facilidade nos últimos tempos, no mais não notei diferença, a não ser nas duas vezes que tive que entrar em um elevador, aquele meio de transporte é ridículo, fechado, sem ar, e caso a energia elétrica acabe não existem pilhas para emergências, a pessoa morre sem ar.
No tempo em que estava no elevador, tentei me concentrar em alguma outra coisa, e cheguei à conclusão de que a minha meta até maio do ano que vem é entender de futebol, tenho me empenhado para isso, já sei o nome de um jogador do meu time, sei também que existem estratégias, que os jogadores não apenas correm com a bola desesperadamente até o gol, mas eles são obrigados a passar a bola para os colegas.
Pois é, amanhã começa uma nova era, com unhas mais fortes, mais paciência, e principalmente mais amor ao meu time, porque é como diz a canção:
“Salve o Flamengo, campeão dos campeões.”

16 de outubro de 2009

Terra fértil

Antes eu me alimentava direito, tomava banho regularmente, tinha uma vida consideravelmente normal, até que descobri, neste nefasto mundo da Internet, uma simpática fazendinha que discretamente me seduziu e agora consome boa parte do meu tempo.
Preciso plantar milho, batata e cenoura, já não tenho tempo para relações sociais. Não me sobra tempo para ligar para meu querido pai biológico e pedir com educação que ele pare de procriar, afinal não me sinto bem ao andar pelas ruas da cidade sabendo que o indivíduo que me entrega um folheto pode ser um de meus muitos irmãos.
Preciso furtar milho, batata e cenoura, não me sobra tempo para ligar para minha linda mãe e perguntar por quê afinal, tenho a cabeça comprida. Por que na rua me chamam de "Cabeça de Snoopy"? Não, na verdade eu não ligo. Apenas me importo com a minha fazenda e com os meus rins. Ficarei aqui cuidando da minha colheita, até sentir uma pontada e perceber que preciso de um rim novo, somente neste dia começarei a busca pelos meus irmãos.

25 de setembro de 2009

Tatu pai, tatu filho

Eu nunca ouvi da boca da minha mãe a seguinte frase: "Filha, seu verdadeiro pai é o Paul McCartney." Porém isso sempre foi tão óbvio para mim, os traços, a música em minha homenagem, enfim, tenho maturidade para superar isso. Sei que pai de verdade é quem cria, por isso respeito e amo meu pai adotivo, mas estou ansiosa para conhecer, no ano que vem, o meu progenitor.
Hoje em dia é normal não conhecer o próprio pai, acho que estranho mesmo é não conhecer um tatu-bola. Meu Deus! Eu não consigo pensar em outra coisa desde que visitei aquele blog. A autora dizia que ela sentia saudade da infância quando via o suposto tatuzinho. A princípio eu pensei que era uma moça do interior que cresceu no meio dos tatus, mas depois eu descobri que não, que não era do tatu que cavuca buracos que ela se referia, era de um bichinho de jardim que, pelo jeito, todo mundo conhece. Passei a ser meio que excluída e discriminada por não conhecer esse animalzinho. Nunca vi mesmo.
Quando meu primeiro filhinho nascer, quero que o pai biológico esteja por perto, mas antes que a criança seja apresentada ao pai, quero que mostrem a ela um tatu-bola.

11 de setembro de 2009

Dorflex

Apesar de sentir dor em cada centímetro do meu pequeno corpo, me sinto bem mais musculosa que ontem, e para a informação daqueles que apostaram que eu desistiria no primeiro dia, saibam que estou disposta a ir mais uma vez naquela academia, templo da beleza, antro da tortura.
Eu não sei como tem mocinhas que se embelezam para ir paquerar os gatinhos bombados da academia, eu prefiro que eles não me enxerguem naqueles aparelhos que deixam meu glúteo em evidência ou servem como treinamento para o dia em que eu trouxer uma criança ao mundo. Sinto vergonha.
Sinto vergonha também daquela vovó, minha vizinha de bicicleta ergométrica, a frágil senhora atingia cerca de 50 Km/h, enquanto a jovem aqui não chegava nos vinte. Ninguém vai me obrigar a ir na academia quando eu me aposentar, até minha cadeira de balanço será automática, eu não pretendo trabalhar a vida inteira e depois fazer esforço para dar embalo.
- Vovó, eu vou fazer academia.
- Não, querida, faça plásticas.

25 de agosto de 2009

Dinheiro, carneiro

Eu curtia minha insônia e mais uma vez repartia o dinheiro da Mega Sena. Durante os cálculos pensei que nunca ganhei porque nunca joguei e se nunca joguei a culpa é do sorvete.
Um freezer de sorvete na Casa Lotérica evita novos milionários na cidade, ao menos comigo acontece assim: Eu junto moedas e vou à lotérica, chego lá, olho para o balcão de jogos, olho para o freezer de sorvete, olho para o balcão de jogos e é lógico que prefiro o sorvete.
Com o sorvete a minha satisfação é certa, afinal eu nem tenho tanta certeza assim, que vou ganhar na Mega Sena.
- Moça, vai querer uma raspadinha?
- De limão, por favor.

13 de agosto de 2009

Berros ou cacarejos?

Creio que essas feiras que começam com "Expo" e terminam com as últimas letras da cidade são todas iguais.
Houve uma época que eu ia na exposição para me divertir nos brinquedos mais seguros do parquinho, em outra época eu ia somente para flertar.
Hoje eu não gosto muito de flertar e decidi me arriscar nos brinquedos perigosos do parquinho, em um deles senti minha alma sendo lançada para longe do meu corpo e logo depois voltar como um bumerang.
Mas o que me deixou mais feliz dessa vez foi visitar os animais. Pude conhecer a Lindinha, uma linda Cavalinha (prefiro usar o termo cavala porque, hoje em dia, égua e cadela são palavras ofensivas).
Ela me cativou, tinha uma franja tão bonita, eu já tive franja e nunca ficava boa igual a dela.
No pouco que conversei com a Lindinha, me senti melhor, menos preocupada e mais confiante, ela passava uma energia legal.
Minha amiga também gostou e prosseguimos visitando outros animais.
- Vamos lá onde está escrito "Ovinos". O que são ovinos?
- Acho que são galinhas, vamos ver.