7 de março de 2013

Letras douradas num papel bonito


Eu não queria escrever sobre o dia da Mulher porque não gosto de textos sazonais e não posso nem começar a falar sobre direitos da mulher, pois a Revista TPM me deixou tão feminista que tenho a impressão que às vezes irrito as pessoas com esse papo. Mas gente! Em pleno século 21 a mulher que bebe é considerada sem valores, enquanto o homem pode beber porque é muito macho... Ai. Tá. Parei.
Esquece isso, tem mulher que não vale nada. Tipo a mulher da música do convite de casamento. Que puta falta de sacanagem! Eles cresceram na mesma rua, ele foi o anjo guardião dela, não teve coragem de assumir a paixão e ficou ali na Friendzone. Ela sabia que ele era apaixonado porque mulher não é boba e mesmo assim mandou um convite de casamento! Que isso, minha amiga?
E aquela outra que fez o rapaz deixar de ser cowboy por ela? Tudo bem que ele fez um favor pra sociedade e pra ele mesmo deixando de ser cowboy, mas justamente por ele não ser mais cowboy ela resolveu abandoná-lo? Decida-se, vadia!
Um abraço a todas as mulheres.

13 de fevereiro de 2013

Doce Infância


Hoje eu acompanhei minha afilhadinha em seu primeiro dia de aula. Ela não chorou, mas ficou bem assustada com tanta informação para processar. Segurou bem forte sua boneca e ficou lá, sentadinha, esperando a aula começar. Lembrei-me do meu primeiro dia, talvez segundo ou terceiro, mas me lembro claramente de tentar interagir com todas as minhas forças. Estava lá, um bando de meninas descontroladas dando tchau pro tio da Kombi. Eu nem sabia pra quê servia a Kombi, meu pai me buscava de bicicleta. Mesmo assim tentei me socializar, entrei no meio do alvoroço e gritei também: “Tchau tiiiio!” Elas ficaram em silêncio e me olharam. Uma delas, a loirinha disse: “Você nem é da turma da Kombi”. Eu deveria ter pisado no pé dela, mas não, fiquei sem forças e só falei: “Deixa, nem ligo” e continuei acenando pro tiozinho de bigode. Eu não me vinguei na época, mas hoje, se alguma loirinha exibida excluir minha afilhadinha, eu juro que... Ai, gente, não faço nada. Imagina.
-Opa! Caiu! Coitadinha! Tropeçou é?

4 de fevereiro de 2013

Olfato nostálgico


Crianças tentam se matar involuntariamente o tempo todo. Correm riscos a torto e a direita.
Lembro que eu ganhei uma boneca que vinha com uma mamadeirinha que tinha leite de verdade, pelo menos parecia de verdade. Daquelas que quando vira, o leite some e parece que a esfomeada boneca bebeu tudo. Mas eu não era besta e sabia que havia um mecanismo, só precisava mesmo abrir para entender seu funcionamento e experimentar o leite para saber se era de caixinha ou pasteurizado.
Tentei abrir, não consegui. Peguei martelo. Tentei não causar estragos, mas causei. Quebrou. Um cheiro forte impregnou meu quarto e percebi que aquele cheiro não era de leite. Pensei: ”Vou provar”. Provei, era horrível. Limpei depressa, antes da mãe chegar.
Semana passada, em frente a uma construção, senti cheiro de leite de boneca. Resolvi investigar e descobri que aquilo realmente não era leite. Era cal.
Agora eu penso: quem tinha menos juízo? Eu ou a fábrica de brinquedos do Paraguai?
Fiquei parada por um tempo sentindo o cheiro de cal e lembrando coisas felizes.
Cal me lembra infância.

19 de dezembro de 2012

Nas entrelinhas das normas convencionais


Certos detalhes que servem para esclarecer as coisas para pessoas normais, apenas me confundem. Ou confundiam, estou começando a ficar mais esperta. É o caso da placa “Proibido estacionar – Garagem”. Quando eu perguntava ao meu pai:
-Pai, se não pode estacionar, para quê serve essa garagem?
Ele dava uma risadinha e fazia um comentário do tipo:
- Engraçadinha você.
Mas era sério. Só agora eu compreendi a lógica.
 Antes também não fazia sentido a lista de ingredientes das receitas. Eu, toda empolgada, resolvia fazer um bolo, mesmo sem ter permissão para ligar o forno. Minhas dúvidas surgiam logo no início da receita:
3 xícaras de chá de farinha de trigo;
1 colher de sopa de fermento.
Da cozinha, eu gritava:
- Mãe, como faz chá de trigo?
- Sei lá! Não existe!
- E sopa de fermento?
Pronto, ia por água abaixo a descoberta de meus dotes culinários.

21 de novembro de 2012

Aquela dos quase 30


Aos 13 anos, eu ainda brincava de boneca e minha maior preocupação era: “Ai, meu Deus do céu, as pessoas crescem e param de brincar de boneca, como elas conseguem? É tão divertido, eu nunca vou conseguir parar e todos vão rir de mim. Minha vida já era”. Percebi que era um drama desnecessário após um ano, quando simplesmente deixei de gostar das Barbies falsificadas e pensei: “Nunca mais farei drama”. Minutos depois eu inventei um amor platônico e minha maior preocupação era: “Ai, meu Deus do céu, eu vou amar esse menino até morrer e ele nunca vai corresponder, vou ficar velhinha sofrendo por ele, minha vida já era”. Percebi que era um drama desnecessário após um tempo quando eu simplesmente esqueci o amor platônico e pensei: “Nunca mais”. Minutos depois eu lembrei de que já era hora de deixar de gostar da Sandy e minha maior preocupação no momento foi: “Ai, meu Deus do céu, eu amo a Sandy, um dia serei uma mulher de 30 anos que ainda gosta da Sandy, minha vida já era.” E aqui estou eu, com quase 30 anos. Alguns dramas são reais.

9 de outubro de 2012

N - Natureza, O - Obrigada


Eu vou em festa sertaneja, eu vou em Rave, eu vou até na festa do laço por prova de amizade, mas acampar eu não vou. Nunca.
Essa é a temporada de acampamento, eu não entendo por que, mas as pessoas resolvem fazer isso na mesma temporada dos besouros, das mariposas e de todo inseto asqueroso que possa existir. E não é só por causa dos insetos que não acampo, é também por causa do Jason e dos filmes da franquia Pânico. Como eles começam? Em uma igreja? Em uma festinha? Não! Em um acampamento!  A lição de moral desses filmes é: Não saia para acampar e nunca pergunte “Tem alguém aí?”.
No mais é tudo horrível. Dormir em colchonete, ficar sem tomar banho (porque ninguém me obrigaria a tomar banho no rio ou em qualquer água fria), além de ficar sem internet e sem maquiagem.
Aí chegam com aquela história de natureza e blá blá blá. Meu amigo, minha amiga, eu separo o lixo reciclável. Já faço minha parte, não preciso enfrentar os perigos do mato pra provar meu amor pela natureza.
- Mas, Michele, tomar banho de rio é uma delícia!
- É? Deixa eu pensar... Peixinhos mordedores de canelas, pedras escorregadias, cobras que engolem pessoas. Ok. Vai lá tomar seu banho, vai.

11 de setembro de 2012

Everybody!


Cágano Refrão – Do latim Caganus Refranus, é um fenômeno musical que consiste em compor uma boa música, mas estragar tudo no refrão. Um exemplo clássico vem da diva Marisa Monte. É inacreditável que justamente ela, que sempre acerta, tenha feito isso. A canção começa muito bem, é gostoso cantar junto: “Deixa eu dizer que te amo, deixa eu pensar em você...”  A música segue com toda sua poesia até que chega ao maldito refrão. Onde ela estava com a cabeça quando escreveu: “Amor I love you, amor I love you, amor I love yooou”? Por que, Marisa?
O mesmo aconteceu com a Pitty, que já errou outras vezes, mas esse erro ainda não tinha cometido. Da mesma forma, começa bem: “Tantas decepções eu já vivi, aquela foi de longe a mais cruel...” Música bonitinha, boa de ouvir e de cantar, até que... “Que você me adora, e me acha foda...” E me acha foda, Pitty? É isso mesmo?
Não sei explicar de onde surgiu o fenômeno, nem sei por que ocorre tal deslize justamente no refrão, mas sei que é uma lástima para o cenário musical brasileiro. Mas pensando bem, que bom seria se os sertanejos universitários estragassem apenas o refrão de suas músicas.