Aos 13 anos, eu ainda brincava de
boneca e minha maior preocupação era: “Ai, meu Deus do céu, as pessoas crescem
e param de brincar de boneca, como elas conseguem? É tão divertido, eu nunca
vou conseguir parar e todos vão rir de mim. Minha vida já era”. Percebi que era
um drama desnecessário após um ano, quando simplesmente deixei de gostar das
Barbies falsificadas e pensei: “Nunca mais farei drama”. Minutos depois eu
inventei um amor platônico e minha maior preocupação era: “Ai, meu Deus do céu,
eu vou amar esse menino até morrer e ele nunca vai corresponder, vou ficar
velhinha sofrendo por ele, minha vida já era”. Percebi que era um drama
desnecessário após um tempo quando eu simplesmente esqueci o amor platônico e
pensei: “Nunca mais”. Minutos depois eu lembrei de que já era hora de deixar de
gostar da Sandy e minha maior preocupação no momento foi: “Ai, meu Deus do céu, eu amo
a Sandy, um dia serei uma mulher de 30 anos que ainda gosta da Sandy, minha
vida já era.” E aqui estou eu, com quase 30 anos. Alguns dramas são reais.
21 de novembro de 2012
9 de outubro de 2012
N - Natureza, O - Obrigada
Eu vou em festa sertaneja, eu vou em Rave, eu vou até na festa do laço
por prova de amizade, mas acampar eu não vou. Nunca.
Essa é a temporada de acampamento, eu não entendo por que, mas as
pessoas resolvem fazer isso na mesma temporada dos besouros, das mariposas e de
todo inseto asqueroso que possa existir. E não é só por causa dos insetos que
não acampo, é também por causa do Jason e dos filmes da franquia Pânico. Como
eles começam? Em uma igreja? Em uma festinha? Não! Em um acampamento! A lição de moral desses filmes é: Não saia
para acampar e nunca pergunte “Tem alguém aí?”.
No mais é tudo horrível. Dormir em colchonete, ficar sem tomar banho (porque
ninguém me obrigaria a tomar banho no rio ou em qualquer água fria), além de
ficar sem internet e sem maquiagem.
Aí chegam com aquela história de natureza e blá blá blá. Meu amigo,
minha amiga, eu separo o lixo reciclável. Já faço minha parte, não preciso
enfrentar os perigos do mato pra provar meu amor pela natureza.
- Mas, Michele, tomar banho de rio é uma delícia!
- É? Deixa eu pensar... Peixinhos mordedores de canelas, pedras
escorregadias, cobras que engolem pessoas. Ok. Vai lá tomar seu banho, vai.
11 de setembro de 2012
Everybody!
Cágano Refrão – Do latim Caganus
Refranus, é um fenômeno musical que consiste em compor uma boa música, mas
estragar tudo no refrão. Um exemplo clássico vem da diva Marisa Monte. É
inacreditável que justamente ela, que sempre acerta, tenha feito isso. A canção
começa muito bem, é gostoso cantar junto: “Deixa eu dizer que te amo, deixa eu
pensar em você...” A música segue com
toda sua poesia até que chega ao maldito refrão. Onde ela estava com a cabeça
quando escreveu: “Amor I love you, amor I love you, amor I love yooou”? Por
que, Marisa?
O mesmo aconteceu com a Pitty, que já errou outras vezes, mas esse
erro ainda não tinha cometido. Da mesma forma, começa bem: “Tantas decepções eu
já vivi, aquela foi de longe a mais cruel...” Música bonitinha, boa de ouvir e
de cantar, até que... “Que você me adora, e me acha foda...” E me acha foda,
Pitty? É isso mesmo?
Não sei explicar de onde surgiu o fenômeno, nem sei por que ocorre tal
deslize justamente no refrão, mas sei que é uma lástima para o cenário musical
brasileiro. Mas pensando bem, que bom seria se os sertanejos universitários
estragassem apenas o refrão de suas músicas.
15 de agosto de 2012
Parem os adultos!
Eu estava aqui
comendo um sorvete seco e pensando que tem um tempo na vida que é bem difícil.
Não é infância nem adolescência, é a transição dessas duas fases. Quem
dificultava minha vida nessa época eram os adultos.
Que momento
constrangedor a hora de cantar parabéns em uma festa infantil onde os adultos
falavam: “Crianças, se juntem atrás do bolo para tirar foto”. Eu tentava não
ser notada, afinal eu não era criança, eu era bem mais evoluída que aqueles
pirralhos cheios de verme, mas a tia me empurrava para a cena em questão. Eu me
juntava às adoráveis crianças, tentando controlar meus braços que eram desproporcionais
ao resto do corpo e saía na foto com cara de blasé, que só queria mesmo comer
os brigadeiros e ir embora escrever no diário que ninguém me entendia.
No fundo eu também
não sabia se eu queria ser criança ou adolescente, afinal eu ainda gostava de
banho de chuva, mas os adultos deveriam me deixar decidir que hora eu seria criança
e que hora eu não seria. E nunca dizer que Fulana era minha “amiguinha” da
escola, e nunca fazer a tenebrosa pergunta: “E os namorado?”.
Aliás, as tias me fazem essa pergunta até hoje.
Tem alguma coisa errada e estou começando a achar que o problema não é com as tias.
1 de julho de 2012
Tentação
Os meses de junho e julho não são fáceis para mim por causa das benditas festas caipiras, cheiro de amendoim, gente feia, nada que vocês não saibam, mas tem outra frustração que esses meses carregam que é a saga da maçã do amor. Mesmo detestando essas festas eu dou uma passadinha rápida em uma ou outra para comprar maçã do amor. Ou da tortura. Ou da enganação.
Ela é linda, vermelha, brilhante, dá água na boca, meu coração dispara sempre, não importa quantas vezes eu quebre a cara (ou um pedacinho de dente) eu sempre quero outra. Talvez eu esteja em busca da maçã perfeita, uma que não me deixe com cortes na boca e a sensação de "Parecia tão mais gostosa".
É assim com a maçã do amor, eu sei que vou me decepcionar e mesmo assim compro outra. Não poderia ser diferente com um joguinho do Facebook que surgiu na minha vida justamente nesse mês frustrante. Song Pop. A regra é adivinhar o nome da música ou do intérprete depois de ouvir um trechinho. Parecia fácil até eu descobrir que as pessoas conhecem todas as músicas do Universo e acertam com menos de dois segundos. Menos de dois segundos. Sério. Nunca ganhei de ninguém, confundo Ivete Sangalo com Amado Batista, ás vezes acerto alguma coisa porque clico freneticamente sem ouvir a melodia. Decidi ignorar os convites desse jogo, mas sei que mais cedo ou mais tarde estarei lá perdendo mais uma vez com a autoconfiança abalada e a gengiva sangrando.
22 de maio de 2012
Texto censurado
Um dia desses, assistindo a novela Avenida Brasil,
deparei-me com uma cena violenta, onde o velho do lixão gritava com a vilã coisas do tipo: “Vai se ferrar! Eu quero que você se dane!” Percebe-se que na
vida real usaríamos outras expressões num momento de ódio, mas o pior foi: “Quero
que você enfie esse dinheiro no seu nariz!”. No nariz? Sei.
Não pode falar palavrão na novela, a palavra cu é
inapropriada para uma novela que toda família assiste. Mas cenas quentes da
Suellen, que sai com todo elenco masculino, pode? Não entendi. Novela é uma
putaria maquiada. Seria melhor liberar os palavrões de uma vez, ficaria mais
autêntica.
Para mim a palavra cu nem é feia, é engraçada. Talvez pelo
fato de na minha infância, minha mãe ensinar um versinho, que hoje, nesse mundo
politicamente correto, ela morre de vergonha e não me deixa contar pra ninguém
que aprendi isso com quatro anos de idade:
Vamos
embora
Pra Pirapora
Comendo amora
Com o cu de fora
3 de maio de 2012
Sinais
Há mais ou menos cinco meses completei um quarto de século e na época compartilhei da minha angústia com vocês, mas era só pelo fato de saber que em pouco tempo faria cinquenta e depois cem anos. O que eu não sabia é que tantas coisas mudariam.
Antes dos vinte e cinco eu podia comer de tudo, quase nada fazia mal, agora nessa idade leite faz mal, fritura faz mal, café faz mal e o pior de tudo: Cerveja faz mal, não mal no bom sentido, estou falando de alergia séria.
Antes eu ia à baladinha, dançava até o chão, chegava e dormia com a roupa que estava, maquiagem e sapatos. Na semana passada dancei até o chão, cheguei e quando percebi já havia tomado banho e estava em frente ao espelho passando demaquilante e creme antirrugas.
O próximo passo é gostar de doce de figo, doce de pêssego, doce de mamão e, meu Deus do céu, aprender crochê.
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