6 de setembro de 2015

Caçadores

Nesses dias de exposição agropecuária sempre aprendo alguma coisa e reflito sobre outras. Dessa vez aprendi que bois gostam de carinho no pescoço e o  mais importante: Aprendi que lobos não mandam flores. Ouvi isso em uma dessas canções que sempre me fazem pensar.
Eu não sei como a dupla descobriu isso, penso que tenha sido de forma empírica. Lobos guará treinados por meses em nada resultou. Nada. 
Se tem uma coisa que lobo não faz é mandar flores.
Talvez seja cultural, afinal a pesquisa de campo não alcançou todas as alcateias desse mundo. Só sabemos até agora que eles não mandam flores. De acordo com a dupla, a pesquisa vai além e descobre que eles não juram amores. Afinal, quem já viu um lobinho ajoelhado dizendo que jura juradinho que ama a loba ou a Kristen Stewart? 
O sertanejo universitário me surpreende cade vez mais com suas letras cheias de conhecimento sobre a fauna e sobre a vida.

22 de outubro de 2014

A magia do sertanejo universitário

Eu não poderia começar um texto sem explicar por que não escrevo mais. Eu escrevo. Escrevo sobre bois, soja, inseminação artificial em vacas, plantio direto com braquiária, essas coisas. No resto do tempo eu escrevo sobre moda, assisto reality show de drag queens, lavo louça, faço exercícios da faculdade à distância, pago contas, planejo meu casamento, falo sobre o casamento e frequento palcos, se tem uma coisa que eu gosto é de palco. 
A última experiência foi meio assustadora. Era um show de mágicas. Eu não gosto de mágicas, odeio ser enganada, mas até queria ser chamada no palco, porque adoro palcos. Queria ter participado dos primeiros truquinhos baratos, aqueles de cartas, mas não. Fui chamada pro último espetáculo, aquele em que o mágico atravessa uma espada no pescoço da vítima. Eu era a vítima e estava ali com um cara estranho na minha frente, falando umas baboseiras e ameaçando enfiar aquela coisa afiada no meu pescoço. Eu sorria e enquanto sorria só conseguia pensar na manchete dos principais jornais do Brasil no dia seguinte: "Jovem morre ao ser vítima de erro em show de mágicas". 
Esse pensamento me atormentava tanto que tive que me distrair pensando em outra coisa. Pensei em música, me veio aquela canção que diz: "Eu poderia estar agora em um módulo lunar (...) mas eu prefiro estar aqui, te perturbando, domingo de manhã". Pensar nessa música me fez rir de verdade. Por que um bosta de um sujeito que incomoda alguém num domingo de manhã, poderia estar em um módulo lunar? E mesmo se fosse Testemunha de Jeová, por que estaria na lua? Enfim, analisar canções me irritam e me divertem ao mesmo tempo. A mágica deu certo. Não morri. Percebi pelo barulho da espada encolhendo que era mesmo um truque besta, como toda mágica. Uma mágica boba como qualquer música da dupla Marcos e Belutti.

27 de fevereiro de 2014

Aceita pavê?



É impressionante que sempre que prometo escrever aqui com mais frequência, alguma coisa acontece para me manter distante. Dessa vez foi a gravidez da Sandy, fiquei muito emocionada e perdi a inspiração. Fico pensando no mundo que o neném dela vai conhecer, tomara que goste. 

Eu não gosto de quem me obriga a comer doce. Por exemplo, quando chego na casa da parente distante. Ela, com o pratinho de doce na mão, pergunta: “Quer comer um pudinzinho?” Eu digo “Não, não, obrigada.” Ela insiste: “Por quê? Não gosta de pudim?” Eu digo educadamente que não gosto de pudim. Aí ela solta: “Acho que você não gosta do MEU pudim”. Acabo comendo o maldito pudim e logo passo mal porque sou intolerante à lactose e simplesmente preferi não expor meu probleminha pra toda galera reunida na cozinha.

Em festa de aniversário de criança eu fico o tempo todo fugindo das tias que servem o bolo porque o constrangimento é o mesmo. Quando vejo que não dá mais pra fugir pego um pratinho sujo de alguma criança que comeu rápido pra poder pular mais na cama elástica, passo um pouco de glacê na cara e digo lambendo os beiços: “Não, obrigada, já comi dois pedaços, hummmm... Que delícia, tô satisfeita”.

Às vezes eu penso duas vezes antes de aceitar jantar na casa de amigos.
- Oi, Michele, fica à vontade, só não repara a bagunça, a gente se mudou agora, a descarga do banheiro nem funciona ainda. Vamos ali na cozinha, tô terminando de fazer o strogonoff.

7 de julho de 2013

Cadáver de pirilampo

Pelo fato de eu ser radialista, o ideal seria eu respeitar o gosto musical de todos e nunca falar mal de uma música. Mas para! Eu não consigo entender a letra de algumas novas canções e preciso desabafar.
Como assim "Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí pra te ver sorrir”? Como assim?
O cara chega à casa da mocinha dirigindo um caminhão com uma carga de aproximadamente cinco mil quilos de insetos e diz:
- Amor, cacei esses bichos pra você. Demorei bastante pra conseguir juntar um milhão, estão mortos, mas são seus.  Gostou?
Quem sabe o chilique nervoso da mina, faça com que ela dê gargalhadas involuntárias, mas feliz ela não ficará. Onde ela vai guardar aquela bicharada morta?
No fundo ela entende que o cara queria que os bichinhos acendessem o popô, pensando assim, ela sente mais raiva ainda por ter um sujeito tão jumento no seu pé.
Eu nem vou entrar na parte que ele diz que pode colorir o céu de outra cor, porque eu realmente não quero saber que poluente a anta vai tentar usar.

9 de junho de 2013

E agora?

"Quer abrir a porta? Não existe porta!"
Poderia ser poético se não fosse o atual drama da minha vida. Pois bem, eu tenho um quarto e ele tinha uma porta. Um belo dia minha mãe pensou: "Será que compro alface pro almoço ou mando trocar essa porta de lugar?" Chamou os pedreiros.
Há vinte anos eu tenho entrado no meu quarto pela mesma porta que agora é uma parede com um quadro de paisagem. Enquanto erguiam tijolos na antiga porta eu só pensava: "Vou bater a testa, vou bater a testa, vou bater a testa". Lógico que eu bati a testa. Não pra entrar, mas pra sair do quarto, de madrugada. Eu só queria fazer xixi, estava confusa e a luz havia queimado. No escuro, a minha mão frenética tentava pegar a maçaneta, não tinha maçaneta! Tropecei numa caixa grande cheia de calçados e caí, bati a testa na parede e entendi: "A porta estava em outro lugar".
Aos poucos vou me acostumando, mas sei que a qualquer momento surgirá a próxima dúvida: "Pinto a unha de vermelho ou troco essa privada de lugar?"

7 de março de 2013

Letras douradas num papel bonito


Eu não queria escrever sobre o dia da Mulher porque não gosto de textos sazonais e não posso nem começar a falar sobre direitos da mulher, pois a Revista TPM me deixou tão feminista que tenho a impressão que às vezes irrito as pessoas com esse papo. Mas gente! Em pleno século 21 a mulher que bebe é considerada sem valores, enquanto o homem pode beber porque é muito macho... Ai. Tá. Parei.
Esquece isso, tem mulher que não vale nada. Tipo a mulher da música do convite de casamento. Que puta falta de sacanagem! Eles cresceram na mesma rua, ele foi o anjo guardião dela, não teve coragem de assumir a paixão e ficou ali na Friendzone. Ela sabia que ele era apaixonado porque mulher não é boba e mesmo assim mandou um convite de casamento! Que isso, minha amiga?
E aquela outra que fez o rapaz deixar de ser cowboy por ela? Tudo bem que ele fez um favor pra sociedade e pra ele mesmo deixando de ser cowboy, mas justamente por ele não ser mais cowboy ela resolveu abandoná-lo? Decida-se, vadia!
Um abraço a todas as mulheres.

13 de fevereiro de 2013

Doce Infância


Hoje eu acompanhei minha afilhadinha em seu primeiro dia de aula. Ela não chorou, mas ficou bem assustada com tanta informação para processar. Segurou bem forte sua boneca e ficou lá, sentadinha, esperando a aula começar. Lembrei-me do meu primeiro dia, talvez segundo ou terceiro, mas me lembro claramente de tentar interagir com todas as minhas forças. Estava lá, um bando de meninas descontroladas dando tchau pro tio da Kombi. Eu nem sabia pra quê servia a Kombi, meu pai me buscava de bicicleta. Mesmo assim tentei me socializar, entrei no meio do alvoroço e gritei também: “Tchau tiiiio!” Elas ficaram em silêncio e me olharam. Uma delas, a loirinha disse: “Você nem é da turma da Kombi”. Eu deveria ter pisado no pé dela, mas não, fiquei sem forças e só falei: “Deixa, nem ligo” e continuei acenando pro tiozinho de bigode. Eu não me vinguei na época, mas hoje, se alguma loirinha exibida excluir minha afilhadinha, eu juro que... Ai, gente, não faço nada. Imagina.
-Opa! Caiu! Coitadinha! Tropeçou é?