21 de junho de 2011

Corega

No mês passado tive a desventura de passar uns dias no hospital. Já ouvi em algum filme alguém dizer que é bom ficar internado, dá pra pensar na vida. Não! Na vida você pensa enquanto viaja, antes de dormir. No hospital você se irrita, fica entediado, pensa em vários planos de fuga e sente medo. Além de ter que me preocupar com todos os fantasmas que o lugar hospeda, eu ainda tinha que abrir os olhos e dar de cara com uma dentadura enorme dentro de um copo. Toda noite a senhora do meu lado, antes de dormir, mergulhava seus dentinhos na água. O medicamento me fazia perder um pouco da visão e causava uns delírios. É claro que durante a madrugada, aquela dentadura saía do copo e vinha pra cima de mim. "Tec tec tec, vou comer sua orelha, tec tec, seus dedos..." Era meio assustador. Mas como tudo na vida passa, passou. Agora tenho que me preocupar com a perereca embaixo da prateleira lá de casa, perereca mesmo, nada a ver com dentadura mais. O problema é que ninguém tem coragem de tirar ela de lá e enquanto eu não souber que ela foi embora para junto de sua família anfíbia, continuarei tendo sonhos confusos e amedrontadores.
"Rá! Voltei pra comer seu nariz! Tec tec tec, eu e aquela sapinha ali vamos te devorar, tec tec."

4 comentários:

Camila Rufine disse...

se fosse há 15 anos atrás eu diria para você jogar sal nela, assim como eu fiz com inúmeros sapos, pererecas e afins que cruzaram meu caminho naquele tempo... mas hoje sou uma pessoa boa, em busca da luz. Boa sorte aí...

Tatiana Lazzarotto disse...

Hahahaha Ri muito com o comentário da Camila "em busca da luz".

Mi, o que que deu? Espero que esteja tudo bem! A perereca também era efeitos dos remédios ou ela existia mesmo?

Toninho disse...

O melhor remédio é jogar pedra nela.
Se fosse eu pedia para tirar todas as pedras do rim da vesícula e tacava nela rsrsrs

Scheyla Joanne Horst disse...

Hehe, dilemão, heim. Pererecas e dentaduras: melhor não vê-las fora das suas casas.